Darwin.
Dizem que ele lia romances para relaxar,
Mas apenas de alguns tipos:
nada que acabasse mal.
Se alguma coisa do gênero aparecesse,
irritado, jogava o livro ao fogo.
Verdade ou não,
Estou disposta a acreditar.
Vasculhando em sua mente tantos tempos e lugares,
já tivera o suficiente de espécies ameaçadas,
o triunfo do forte sobre o mais fraco,
a luta infinita pela sobrevivência,
todos condenados cedo ou tarde.
Ele conquistara o direito aos finais felizes,
ao menos na ficção
com suas diminuições.
Assim o indispensável
otimismo,
os amantes reunidos, as famílias reconciliadas,
as dúvidas dissipadas, a fidelidade recompensada,
as fortunas remidas, os tesouros descobertos,
os vizinhos bisbilhoteiros indo cuidar de suas vidas,
os bons nomes recuperados, a ganância afugentada,
velhas senhoras casadas com parceiros dignos,
encrenqueiros banidos para outros hemisférios,
forjadores de documentos lançados pela escada,
sedutores apressados em direção ao altar,
órfãos abrigados, viúvas reconfortadas,
o orgulho amainado, as feridas cicatrizadas,
os filhos pródigos de volta ao lar,
copos de mágoa lançados ao oceano,
lenços empapados por lágrimas de reconciliação,
alegria geral e uma grande festa,
e o cachorro Fido,
extraviado no primeiro capítulo,
ressurge a latir faceiro
no momento final.